Arquétipo do Tempo


Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m

Levitação

Pintura: Sr. do Vale
0,72m x 0,54m
Meus estágios:
além terra
além mar
além céu...
Sou muito mais
do que cabe em mim
por isso flutuo
levito
inspiro a fim de ter a força
que me leva acima
para observar meu infinito.

A Escuta

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m

Vejo formas onde formas não tem
Vejo sentimentos com a cor que me convêm.
Vejo um rosto que vê bem mais longe do que eu.
Vejo partículas do que sou.
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Vou destoar um pouco à beleza de que comenta;
espero que a poesia seja tão bela quanto ao conjunto....
Estava morrendo de sede.
E com dó meu barco naufragó.
Virei estatua linda de vê.
E minha alma’sede’peixe libertó.
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Noite Âmbar

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m

Sem sustento
minhas raízes se alastram
tateando cada solo
que ceda ao meu abraço.
Contorço-me como um tronco
quase seco do Cerrado.
Não vegeto quando há chuva
Me protejo toda em âmbar
resinada me abro ao céu
meio seco, meio nublado
da noite que não tem lua.

Redenção

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m

O ar de limão pintado
eu nua em muitas faces
sagrada vaca
de ardidos dorso
se costados fortes
no fundo sou frágil
perfil fingido de vitória
cabeça posta à prova.

Dicotomia

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m
Te procuro
no claro em vão.
Do céu mergulho no obscuro magma.
Te acho rocha, rachado
meu querido poeta
que pensando ser Alighieri
acabou numa pintura
e não voltou.
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Te encontro na escuridão
No breu
Na fenda
Da terra saio
para o céu me esvaio.
Sinto nuvem, fumaça e algodão
Com poesia pintada
Energia digitalizada
Incomparável inspiração

Metáfora

Pintura: Sr. do Vale
0,72m x 0,54m

Voltar!
Um braço
Um dedo
Uma mão
Olhar de reprovação
A submissão
Mergulho no semblante apagado
mas não por isso menos marcado,
quase dá prá ouvir.
Fendas deixadas
Víceras expostas
A observação aliada a percepção.
Leitura sentida
Reflexo e reflexão.
Uma metáfora.

Olho

Pintura: Sr. do Vale
0,72m x 0,54m

Eu salto
estou enjoado
estou encostado
tão cansado
pulo pro negro espaço
na morte percebo
deus tem um olho azul.

Decisão

Pintura: Sr. do Vale
1,00m x 1,50m

Não ouça o conselho
não tema o vermelho
que trema o joelho
decida-se pelo mistério.

Fragmentos

Pintura: Sr. do Vale
1,50m x 2,50m

Apesar das cores,
uma ausência...
Apesar da vida,
uma inexistência...
Apesar de tudo, tanto mundo em nós...
Seremos nós os autores do mundo?
Pedir-te-ia que morras comigo
se tivesse a certeza que renasceríamos juntos numa nova realidade.
Assim me quedo entre torrentes de mundo que jorra de mim... sentes?
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Se tivesses só cinza teria a mesma expressão,
uma explosão de cores em solidão.
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La llum i l'obscuritat es donen la mà.
Però quina és una i quina és l'altra?
la llum és la vida...?... o, potser, ho és la mort?
En realitat, són dues potes del mateix insecte: l'humà!!
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Eis a geléia real!!
Eis a retomada da antropofagia...
cores que devoram espaços;
espaços que voam em cores...
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Que cara é essa, João?
É uma cara de fome
é uma cara de sede
é uma cara de febre
é uma cara que treme
é uma cara que ferve.
É a mesma nossa cara, João.
A cara de poeta de sempre.
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A deliciosa ligação entre a imagem e a palavra.
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Suas cores são torrentes
de pura profusão que apropria-se das partículas dos sentimentos
sentidos fragmentando a razão.

Pradaria

Pintura: Sr. do Vale
0,72m x 0,54m

Miríade

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m


...tudo mareia num mar de águas nem sempre claras...

aqui, este mar parece transparente!

E enche, como um ventre prenhe de águas amnióticas...

certo é que a seu tempo vazará,

nos movimentos naturais, quiçá na força das marés!

Bia

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Era uma vez um coração que voava no céu, e porque tinha raízes em vez de asas, fugia e nunca caía nem se deixava agarrar pelos anjos de terra de formas informes, e alguém de verde, talvez a chorar, não o queria ver passar.

lenor

Subliminar

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m

Cores...cores
a deriva no mar azul
da noite azul
do medo azul,
de tanto azul
explosões das cores
num sonho azul.


A cara que o homem tem dentro da cara que o homem é.
Inspiração profunda sulga o espectro que tenta escapar pequeno e sorrateiro.
Pintou um lado do olhar, mas deu-lhe muitas formas.
Não pesou
Refletiu o perceber.
Repetiu a inovação
Desistiu da intenção
Ignorou a invenção
Fez-se a tua criação.
Selena Sartorelo


Não há conforto na saudade
azul de pura essência rubra
tudo dói em violenta violeta
escura e densa sensação nos meus sentidos.
Só meu verde olhar está presente
a tua imagem agarrada na retina.
Eu vejo você e estou a salvo.




Existe aqui algo para se ver?
É o algo escondido
Um desejo banido
O que poderá ser?
Vejo o que quero ver
Um luar espraiado
Um beijo iluminado
A tempestade a desaparecer
Um abstrato alvorecer
Um elo desencadeado
O sol parecendo cansado...
O que mais pode ser?
Seja lá o que possa ser
Não há o que se explicar
Afinal a mensagem tem meta
Não é reta nem plana
É uma arte sacana
A nos embasbacar
É o verbo moldado em imagem
Montagem de infinita mensagem
Subliminar...

Marcello 'Maddy Lee' L.

Noite de Neon

Pintura: Sr. do Vale
2,50m x 1,50m
Não bastasse a escuridão da noite,
me vem agora a falta de azul-temperança
destilado pelo sangue desejo de dias aflitivos.
Um lampejo vermelho faz meu céu desmaiar em uma liquidez de eternos dizeres de amores. Fragmentos noturnos compõem uma paulatina desconstrução do amanhã.
Por tudo, uma condenação presa a um pensar que lampeja -em neon- a desfaçatez de um caminho destinado a ruinas.
Fernanda Fernandes Fontes
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Separados da água, parecem azuis e eternos,
mas não o são:
há uma silenciosa lava vermelha por cima das suas cabeças
que os elimimará quando quiser.
lenor
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Estou verde
encolhido
nauseado da tua ausência
então emano azuis densos
de saudade
e reproduzo em carmim
a tua imagem estonteante.

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Noites de neon
Era essa a itenção
Deixou tua digitais
Tua máscara
Formas cruciais
Ainda baila com insanidade
Uma forma de posse
Dominando a tal realidade
Invade
Arrebata a tal castidade
Onde pensa que está tua mente
Se não é eloquente
nessa vida tua, minha, nossa
nada coerente
Mente
Insana
Prudente
Coragem de ser covarde por ser valente.
Sente
Violenta o corpo Anestesia vigente
Verdade inerente
O sonho da gente.

Arion

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m
Furiosas as focas arremessaram o enjeitado
trajado de trapos e sujida
deslançado aos céus feito uma cusparada
expulso da imutável rotina gelada
as focas não gostam de bagunça
em seu ilhado branco reino
e os pedintes sempre provocam inconformidades na paisagem.
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Não consigo saber se está a largar a pele se está a formar pele;
mas há camadas de pele a soltarem-se ou a agarrarem-se a um corpo;
e há o corpo em camadas de formas.
Não consigo saber se o pedaço de carne cor-de-rosa é um coração perdido ou um coração achado;
mas há casas de gelo e sombras de pele congeladas.
Um mundo qualquer sem céus nem mares, mas azul.
Só quem lá foi pôde trazer para aqui este mundo,
morto ou vivo, não sei.
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São corais formando paredes
São castelos de cristais
Dissolve
Derrete
na límpida água do mar
refletindo no espelho
O espectro visto pelo teu olhar.

A Vigília

Pintura: Sr. do Vale
1,15m x 0,86m


Eu te espero hoje e sempre

vigio teu súbito despertar amarelo

me sento calma e quieta

também eu encrustrada na pedra

me sinto férrea e serena

estou calada

imóvel estou à tua espera

comedida à espreita tensa alerta

feito aquele gato rosa

que você insiste em manter na paisagem.

Senhora Loirinha Má

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E ali jazia Prometeu

Vítima do fogo que deu

Eterna vigília

À espera

Da fera

Que todo dia

Lhe devoraria...

Salve Jorge

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Sons noites cores,

que tempo de chuva passadas, molha minhas certezas existenciais

Sol

e espero da semente a flor.

Digo, meus vários eus,

escondo vezes em suas rochas de gelatina;

quando quero prosear filosofia tem sempre um ‘em tua obra’

e quando quero namorar esqueço qualquer idéia,

procuro a ‘doida em suas obras’ e sempre acho,

nisso sempre me escapo.

Como é bom conhecer num súbito a verdade dos sons noites cores.

Noslen ed azuos

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O abismo,

a violência

Sabe lá...

quem eu sou

A dor e a imprudência

o jornal estampou

Parei na esquina e

observei o tráfego

sinal vermelho

e o serviçal do tráfico

me abordou numa onda maquiavélica

Ele tem o poder,

arma de assalto leve

Sou das quebradas

por favor, considere

Que merda é essa

que ninguém entende

Sarney Collor Calheiros

Bandoleiros

Filhos da Puta

Cadê meu dinheiro?

Escrachei no verbo

e na palavra

que tudo vá às favas

Estou no alto da cidade

la observando o correr dos ratos

Estou na vigília,

estou no encalço,

Corda, forca, cadafalso

Big clash

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Senti a respiração que sai da outra boca.

Não pode tocar

Anseia Espera

Em uma longa vigília que parece não terminar.

São muros vivos que carregam e sustentam o desejo de querer um pouco mais poder ver.

Não importa o tamanho da luz no meio do breu, tua intensidade é maior.

Selena Sartorelo

Envergadura do Silêncio

Pintura: Sr. do Vale
1,51m x 0,86m

Sabe-me bem o silêncio.
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Depois do ato
Ensaio um recado que não tenho
me entrego a um cansaço
que não sinto
e uma quietude
que nunca foi minha
tudo para combinar com teu silêncio
E rubra do desejo satisfeito
aguardo a próxima edição do nosso ardor.
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Um sono assim feito
de olhos de sombras esquecidas
de uma boca escondida
de um braço flectido vencido
tão igual a todos os sonos.
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Nada além do que é dito
Deu um sentido
Uma sensação
um som
Nada além do que é escrito
Nada mais para ser visto
É isto!
Tudo está quieto
Um alento esquisito
Debruça a cabeça Vazio
sobre teu braço dobrado
que pesa que reza
Está com o corpo acordado
e o espirito adormecido
Parar de pensar
Uma entrega cansada
Uma vida esgotada
Talvez tivesse evitado
Talvez tivesse apenas querido
Talvez tivesse só imaginado
a força desse olhar intenso e focado.
Nada prá dizer
São particulas do sentido.
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Cansado
triste
calado
amargo
descrente
envergado
deitado
sozinho.
E você onde?

Corpo


Pintura: Sr. do Vale
72cm x 54cm

Corpo de homem
Alma de ser
Sensível
Corpo de ser valente
Corpo prostrado
Desasso"cegado"!
Alma que vem sem tempo nem dimensão
Silencioso coração
Corpo faminto
Mente pensamento
Alma vazia
O oco do sentimento.
Procura insana que desaliena
teu entender
Onde a resposta está no mais simples saber.
O amor
Seja com ou sem cor.
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Faminta
contemplo teu corpo exato
o músculo inexplorado
o caminho errático
que a minha mão percorre
mesmo quando você diz não quero
porque eu quero, baby,
ah como eu quero!
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